
Acadêmicos delirantes de uma mídia de verão
8 de agosto de 2026Tecnologia LiDAR, análises do subsolo e pesquisas de campo trazem novos elementos sobre ocupações antigas no coração da floresta
Dakila Pesquisas apresentou, em 16 de agosto, novas informações e evidências reunidas durante pesquisas sobre Ratanabá, no coração da Amazônia. Uma das principais ferramentas utilizadas nas investigações é o LiDAR, tecnologia capaz de revelar com grande precisão as formas do terreno mesmo em regiões cobertas por vegetação densa. O equipamento emite milhares de pulsos de laser em direção ao solo e mede o tempo que eles levam para retornar. Com essas informações, os pesquisadores conseguem criar um mapa tridimensional da superfície e, de certa forma, “retirar” digitalmente a cobertura das árvores para observar o relevo escondido sob a floresta. Foi assim que as pesquisas identificaram padrões, linhas e formações que dificilmente poderiam ser percebidos a olho nu.
Os resultados apresentados incluem imagens e dados obtidos pelo LiDAR, levantamentos do subsolo, estruturas subterrâneas, túneis e artefatos registrados durante as investigações de campo. Entre os elementos que chamaram a atenção dos pesquisadores estão 32 quadras identificadas na superfície, 21 formações côncavas e traçados que, segundo a análise apresentada, não acompanham os padrões naturais de drenagem da região.
A apresentação ocorre em um momento em que novas descobertas arqueológicas têm ampliado o conhecimento sobre a presença de sociedades antigas e complexas na Amazônia. Esse movimento coloca novamente em evidência uma linha de investigação que Dakila Pesquisas desenvolve há décadas e que busca identificar sinais de antigas ocupações humanas e modificações da paisagem amazônica.
Participaram da parte técnica da apresentação Urandir Fernandes, Fernanda Lima, Larissa Kautzmann, Otavio Reis, o geoarqueólogo de Ratanabá, Saulo Ivan Nery e o diretor da Revista UFO, Garibaldi Rodrigues.
Urandir Fernandes destacou em sua apresentação que Ratanabá deve ser compreendida dentro de uma dimensão histórica mais ampla e defendeu que as descobertas sejam reconhecidas como patrimônio brasileiro.
“Ratanabá não é um sítio, um achado arqueológico. É uma herança de uma civilização antiga deixada para o território hoje conhecido como Brasil. Não é um achado para quem é de fora do país tomar conta do que é do Brasil. Ratanabá toma todos os continentes e a principal parte está aqui no Brasil, no coração da Amazônia”.
Durante a transmissão, ele também relacionou o interesse histórico pela Amazônia a relatos sobre diferentes povos e expedições que teriam chegado à região. Há referências a pessoas que teriam viajado para a Amazônia na época do rei Salomão, à presença de fenícios e de embarcações chinesas, além de expedições alemãs em busca de artefatos durante o período da Segunda Guerra Mundial.
Novos dados
Um dos principais trabalhos apresentados durante a live foi o estudo “Análise da paisagem com base em dados LiDAR e geotecnologias no Pontal do Juruena, em Apiacás, no Mato Grosso”, apresentado por Dakila Pesquisas em Sucre, na Bolívia, durante o III Congresso Boliviano de Paleontologia, realizado em 2025. Os resultados foram agora levados ao conhecimento do público durante a transmissão.
O estudo utilizou dados de LiDAR, além de levantamentos geológicos e geomorfológicos de pesquisas anteriores e informações produzidas pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A varredura com LiDAR apresentada durante a transmissão abrangeu uma área de seis metros quadrados e gerou um extenso conjunto de dados para análise. Um dos pontos centrais do estudo foi a comparação entre os padrões naturais de drenagem encontrados na Amazônia e aqueles identificados na área atribuída a Ratanabá.
Segundo a análise apresentada, os padrões encontrados nas chamadas quadras de Ratanabá não acompanham o comportamento das redes de drenagem e das bacias naturais da região. Os pesquisadores destacaram principalmente a presença de traçados mais retos e regulares, considerados incompatíveis com as formas predominantes produzidas pelos processos naturais locais.
Esses cortes constituem um dos principais indícios de que existam estruturas abaixo das marcas do relevo detectadas pelo LiDAR. A formação identificada não foi encontrada, até o momento, em nenhum outro ponto do Brasil com características equivalentes. Alegações sobre a existência de formações semelhantes em outras regiões não vieram acompanhadas de estudos ou comprovações que permitissem uma comparação direta.
Formações côncavas
Além das quadras, foram identificadas 21 formações côncavas dentro do perímetro analisado. A descoberta levou os pesquisadores a realizar trabalhos de campo para verificar a origem dos buracos simétricos distribuídos pela floresta.
De acordo com os dados apresentados, essas estruturas descem em espiral e apresentam semelhanças visuais com construções encontradas em Caral, no Peru, e com outras estruturas registradas em Portugal. Todas estão localizadas na porção oeste da área investigada, nos contrafortes da Serra dos Apiacás, na parte mais alta atribuída a Ratanabá.
A hipótese apresentada pelos pesquisadores é que os buracos tenham funcionado como pontos de drenagem, conduzindo água para estruturas subterrâneas.
Outra tecnologia foi utilizada para investigar o que existe abaixo da superfície. Enquanto o LiDAR permite mapear detalhadamente o terreno, o magnetômetro registra alterações no campo magnético e pode revelar anomalias associadas a materiais ou estruturas enterradas. De maneira simplificada, a equipe comparou a técnica a uma espécie de ultrassom do subsolo.
A partir dessa investigação, Dakila Pesquisas identificou corredores associados a mármores e granitos, além de sinais de materiais metálicos em maior profundidade. Entre as possibilidades citadas estão ferro, prata e cobre, embora a composição desses materiais ainda precise ser determinada. Até agora, foram identificadas 32 quadras na superfície de Ratanabá, além das estruturas apontadas no subsolo.
Rede de aquedutos
Os pesquisadores compararam parte das estruturas com sistemas hidráulicos pré-incaicos, como os encontrados em Nazca e Cumbe Mayo. Esses sistemas utilizavam canais subterrâneos e superficiais para captar, filtrar e transportar água proveniente de lençóis freáticos e áreas montanhosas, permitindo irrigar terras e abastecer populações.
Construídas antes do Império Inca, essas obras são exemplos do conhecimento de hidráulica, engenharia e agricultura desenvolvido por diferentes culturas sul-americanas.
A partir dessas semelhanças, a equipe trabalha com a hipótese de que a região estudada em Ratanabá possa ter tido uma antiga vocação agrícola. Nesse cenário, as estruturas funcionariam como aquedutos capazes de levar água das áreas mais altas para regiões mais baixas e favorecer o cultivo para sustentar uma estrutura urbana complexa. Agricultura feita com tecnologia baseada em engenharia hidráulica. Tudo isso numa civilização anterior aos grandes cacicados amazônicos.
Os pesquisadores também afirmam que algumas passagens subterrâneas poderiam ter desempenhado outras funções, inclusive como abrigos. Durante as observações de campo, a equipe registrou pontos nos quais a água desaparecia da superfície, indicando um ponto de infiltração dos antigos aquedutos.
Durante o evento científico na Bolívia (Paleo-Sucre/2025) os cientistas discutiram a possibilidade dessas estruturas datarem por volta de 20 a 25 mil anos Antes do Presente, e que também estariam ligadas as populações que estabeleciam comércio com os povos Andinos, existe uma troca de conhecimento, troca de tecnologias entre os povos da América do sul muito antes das navegações.. E que a Amazônia brasileira também contém estruturas arquitetônicas como as outras civilizações do Continente. É importante salientar que em outros países nossos trabalhos estão sendo bem recebidos e sendo discutidos.
Dakila Pesquisas também atribui as estruturas uma possível função de geração de energia e apresenta a hipótese de que Ratanabá funcionaria como um “grande gerador quântico”, com uma energia que poderia beneficiar o corpo humano.
Intervenção humana
A argumentação apresentada para uma possível origem humana das estruturas se apoia em três elementos principais. O primeiro está nos traços retilíneos encontrados no terreno. Segundo os pesquisadores, eles diferem das formas produzidas pela erosão natural na região. Processos geológicos atuaram sobre a paisagem durante períodos extremamente longos e produziram padrões distintos daqueles revelados pelo LiDAR nas áreas investigadas.
O segundo elemento está nas redes de drenagem. As linhas associadas às estruturas identificadas não acompanham o desenho esperado dos cursos naturais da água, o que reforçaria a hipótese de que tenham sido modificadas ou construídas por seres humanos.
O terceiro elemento é o avanço das descobertas arqueológicas na Amazônia Oriental. Pesquisas recentes vêm revelando novos vestígios de ocupação humana e aumentando o conhecimento sobre a capacidade de sociedades antigas de modificar e organizar a paisagem amazônica. Para os pesquisadores envolvidos na investigação de Ratanabá, esse novo cenário fortalece a necessidade de ampliar os estudos na área.
Descobertas na Turquia
Urandir Fernandes também recuperou informações de uma pesquisa de campo realizada por integrantes do grupo na cidade antiga de Dara, na Turquia. A equipe encontrou no local uma estrutura subterrânea semelhante àquela identificada nas investigações de Ratanabá. O espaço visitado na Turquia comporta mais de 300 pessoas e possui cerca de 100 metros de altura.
Lago Parini
A transmissão também apresentou fotografias produzidas durante pesquisas de campo na Amazônia. Entre os registros exibidos estavam diversos crânios alongados encontrados em uma caverna na divisa entre Pará e Mato Grosso. Alguns permaneciam em bom estado de conservação, enquanto outros apresentavam maior degradação provocada pelo tempo.
Dakila Pesquisas relaciona essas ossadas a uma grande destruição que teria ocorrido na região do Lago Parini, localizado, segundo a pesquisa apresentada, na parte alta da Amazônia. A hipótese investigada é de que uma inundação de grandes proporções tenha avançado pela região, provocando destruição e mortes em extensa área.
Para os pesquisadores, a investigação sobre Lago Parini pode ajudar a reconstruir acontecimentos anteriores ao período convencionalmente associado ao descobrimento do Brasil e acrescentar novas informações sobre a história antiga da Amazônia.
Dakila Pesquisas informou que prepara a divulgação de um estudo inédito sobre o Lago Parini, que deverá apresentar os dados reunidos sobre o episódio e sua possível relação com os vestígios encontrados durante as expedições.
A apresentação de 16 de agosto reúne, assim, diferentes frentes de investigação desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Dados de sensoriamento remoto, análises do relevo, medições magnéticas, estruturas subterrâneas e registros obtidos diretamente em campo compõem o conjunto de evidências sobre Ratanabá. Com novas descobertas arqueológicas mudando a compreensão sobre a ocupação antiga da Amazônia, Ratanabá deve ser investigada com métodos científicos cada vez mais amplos para que sua origem, dimensão e história possam ser determinadas com mais precisão.
Por LUCIANA FARIA


