

Um grupo de 21 estudantes, do 2º ao 9º ano, entre 13 e 16 anos, da Escola Estadual Dr. João Ponce de Arruda, de Ribas do Rio Pardo (MS), percorreu mais de 200 quilômetros para conhecer Zigurats em uma visita orientada pela equipe da Ziguratur. A iniciativa partiu da professora Sônia, turismóloga, que está trabalhando conteúdos sobre o Sistema Solar e buscou oferecer aos alunos uma vivência diferente, capaz de estimular questionamentos e ampliar horizontes. Em uma das conversas, ela comentou que acredita que o papel do educador é “abrir portas, oferecer ferramentas e deixar que o aluno escolha seus caminhos”, reforçando que não pretende impor conclusões, e sim provocar reflexão.

A visita foi guiada pela pesquisadora Lígia Rigo e por Bruno Régis. O grupo começou o passeio pelo CICTEC, onde foi recebido pelo pesquisador Marcus Rigo. Os alunos conheceram a projeção de Zigurats, o antigo e o futuro observatório, instrumentos utilizados nas pesquisas, como telescópios antigos e novos, e também as pedras discoides. Embora a subida pela parte externa não estivesse prevista, o interesse dos estudantes foi tão grande que a equipe autorizou o acesso para fotos, o que os deixou encantados com a vista. De lá, avistaram o Mini Monumento Escalonado, onde a acústica surpreendeu: “Mesmo com barulho de máquinas e carros, o eco chamou a atenção dos adolescentes, que compararam a sensação ao som de uma catedral!”, conta Lígia. Ali, ela explicou como o som reverbera e como o domo de energia se forma no monumento, despertando ainda mais curiosidade. Entre fotos, risadas e expressões de surpresa, os jovens registraram cada detalhe.
No trajeto para o Grande Monumento, surgiu uma dúvida recorrente: “Quanto vocês gastaram até aqui?”. A pergunta abriu espaço para Lígia explicar o funcionamento do BDM, desde a folha de pagamento até o financiamento das obras e do ecossistema. Muitos se impressionaram ao descobrir que a moeda pode ser usada no shopping e em diversos estabelecimentos, o que gerou ainda mais questionamentos. Apenas a professora já conhecia o BDM; para os estudantes, tudo era novidade.

A próxima parada foi AKASA, onde os alunos se divertiram tirando fotos e explorando os ambientes. Nesse ponto, Lígia compartilhou explicações sobre as vantagens das construções circulares, como o conforto térmico, a acústica diferenciada e a ressonância sonora, além de comentar sobre os efeitos da vibração na água presente no corpo humano.
Após o almoço na pousada Pegasus, o grupo seguiu para o Recanto de Havalon, onde conheceu o monumento da Terra Convexa, o relógio solar e outros monumentos que permitiram discutir temas como composição das imagens da Terra, gravidade e modelos científicos alternativos. Os alunos se surpreenderam ao saber que não existem fotos completas e naturais da Terra à distância, mas sim composições. A partir disso, surgiram perguntas mais maduras: “Por que na escola não explicam isso?”, “Como saber o que é verdade?” e “Quando isso tudo começou?”. Em diálogo com os estudantes, a professora reforçou a importância de manter a mente aberta e compreender que a ciência está sempre em evolução.
O último destino foi o Morro das Marcas, onde o calor exigiu várias pausas durante a subida. Entre brincadeiras e bom humor, o grupo chegou ao platô, onde ouviu explicações sobre anomalias luminosas registradas pelos pesquisadores. “Os jovens queriam continuar a trilha, explorar cavernas e avançar mais, mesmo já cansados pelo sol forte”, relata Lígia.



Ao final da visita, os alunos aplaudiram a equipe, enquanto a professora Sônia demonstrou grande satisfação com a experiência. Pela manhã, Lígia entrou em contato com ela, que expressou o desejo de retornar com novos grupos, colegas de trabalho e até amigos. Em uma das conversas, a professora comentou que foi “muito estimulante” ver os alunos tão envolvidos com temas que fogem do convencional.
Para Lígia, acompanhar o grupo foi motivo de orgulho. Ela destaca que, quando compartilha aquilo que vivencia e compreende, sem repetir discursos prontos, os estudantes se conectam de forma mais genuína. Segundo ela, foi gratificante testemunhar a curiosidade e o respeito dos jovens ao longo de todo o percurso.
